terça-feira, 10 de agosto de 2010

Muito mais que dois grandes amigos!



Bem, pra começar, acho que todo mundo que me conhece, conhece também meu jeito de ser.
Meu marido fala que um jeito "gorila" de ser. Não sou prendada, nunca sonhei em casar de branco, nem com festa de debutantes. Ah não!
"Isso era coisa de mulherzinha"- Palavras do meu pai, lembro que eu pedia uma boneca da moda cheias de frescurites e lá vinha ele: Poxa, filha, trouxe a boneca mas olha que jogo legal!
Lembro-me muito bem de um domingo que saímos para um programa de pai e filha, minha mãe vestiu-me fofa da vida de rosa e frufus e fomos assistir uma corrida de Motocross. Ou então íamos pescar, lojas de discos. Nossa eu amava as lojas de discos. Ele me contou a história da banda Led Zeppelin, falou do movimento do anos 70, de Novos Baianos, de Moraes Moreira, de Axl Rose e seu extinto coral da igreja. Me orientou sobre homossexualidade usando Meninos e Meninas do Renato Russo, me ensinou a respeitar todo tipo de amor.
Me ensinou muito mais do que soube, a única coisa que importava era amar. Amar um amigo, os filhos, a literatura, rock'n roll, MPB, teatro.
Quando o Ayrton Senna morreu e chorei tanto, era pequena, mas sofri pois sei como seria difícil pro meu pai vê-lo morto numa curva de corrida.
Meu pai trabalhava dia e noite, fazia o que era viável e que não era também. Acordava pessoalmente na madrugada para seguir corretamente horários de remédios, nos buscava no colégio sacrificando horário de almoço. Era sempre assim, sempre foi exemplo, fora do comum, mas exemplo de doação.
Quem tem pai calhorda, covarde, que não dá um telefonema num dia nem pra saber se tá vivo não condena quem faz a mesma coisa. Mas eu não tive esse desprazer, então sofria tanto pela Gabi não ter isso, não poder um dia escrever a mesma coisa.
Mas eis que chega a roda viva e carrega a viola pra lá. Chico tava mesmo certo, esse ano nosso dia dos pais foi surpreendente. A Gabi fez uma "arte" e nem pensou duas vezes pra quem dar: Vc é o pai que cuida de mim, vc que merece!
Queria que meu pai tivesse almoçado aqui em casa no domingo passado, que tivesse rolado no tapete fofo com a netinha, e que tentasse pôr o bebê para dormir. Que me desse um beijo e a gente fosse mais uma vez ver carros exóticos como em outras vezes foi.
Deus sabe o que faz né?
Eu não entendo. Desistir de entender.

Mas ouvir a Gabi cantando, feliz, convidando o pai Dy dela pra jantar fora (mas ele teria que pagar a conta), foi tão confortável, tão reconfortante.
Deus sabe o que faz né?
Eu não entendo. Desistir de entender.

Senti muita falta de uma pessoa que fazia meus dias dos pais ser mais divertido. Éramos as duas "sem pai", vagando pelo domingo de dia dos pais...Era engraçado.
Gira essa umbanda! É pra frente que se anda!

2 comentários:

Oi! disse...

Amiga, acho que nunca comentei aqui, sou meio lerda para essas coisas... Mas depois de ler esse texto lindo, confeço que me emocionei e precisei comentar.
Lindo demais!!!!

Saudade, volta logo para estudar com a gente.

Beeeijos nessas crianças lindas!!!

Oi! disse...

Carina Dodds. rsss, o nome não saiu.