
Hoje aqui com os olhos molhados e de coração apertado eu me despeço mais uma vez de alguém tão perto que agora foi para longe. E fico com um sorriso bobo de canto de boca quando me recordo de alguns momentos da infância.
Usar talher em dia de chuva chama raio para dentro de casa, manga com leite poderia trazer males horrendos a saúde, usar o sanitário comendo alguma coisa, brincar com a sombra NEM PENSAR. Coisa de vó do interior, coisa de vó carinhosa e mandona, coisa de vó amada.
Como não chorar se lembrar do estado daquela sala em dia de domingo abarrotada de gente, de primos e irmão, da salsicha verde (almofada grande em forma de rolo na cor verde bandeira-se não me trai a memória) que virava cavalo, barco, carro...Fora os incrívris banhos de mangueira!
E também tinha a penteadeira dela, e um ponte redondo cor de vinho que mexiam muito com minha curiosidade. E o fato de eu não poder mexer aí que tornava ainda mais excitante as idas ao quartos da avó. Assim como o quarto de costura, e vó é um ser que tem muitas destas caixinhas, neste outro quarto não era diferente. Até o dia que eu inventei uma mistura de fósforo riscado com retalho e resultou numa queimadura que até hoje carrego uma adorável cicatriz no braço direito.
Casa de vó é mais divertido que Disney! Nunca tinha que comer toda a comida, meu avô me dava generosas lasquinhas de coco e na hora da massa o bolo ir para assadeira na tijela ainda havia muiiiiiiiiiiiiiita quantidade daquela massa que eu jamais poderia comer em casa!
Não teremos mais o arroz com camarão, nem o maravilhoso feijão doce (coco), nem teremos cocada mole para sobremesa, nem as piadas do meu avô e suas grandes epopeias que faziam nossos então olhinhos ficarem arregalados e atentos, nem os remungos da minha avó. Acabou mas não é o fim. Aqui dentro de mim, aquela menina chorona vai existir sempre e vai lembrar sempre do colchonete marron no chão da sala e dos três pontos que levei na cabeça em mais umas de minhas meninices. E vou amar para sempre e lembrarei para sempre de cada detalhe dos meus avós sem sobra de duvidas ÚNICOS!
A gente cresce, e paga-se um preço muito alto pela vida adulta. Acho que não sei perder, ou então seja egoísta mesmo, até mais do que imagino ser.
Desejo uma infância tão gloriosa a meus filhos como foi a minha. Tantos sonhos! Desejo-lhes muitas caixinhas redondas cor de vinho, desejo-lhes marcas saudáveis da criançisse bem vivida, da molecagem barata, de saudades de gente de verdade, de gente de valor.
Obrigada Vô e Vó! Obrigada por mesmo eu sendo uma neta longe da perfeição terem me amado e cuidado tanto de mim e tanto de todos nós. Obrigada!
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