
Começou assim: Meu namorado levantou-se às 6h para correr atrás de balão, coisa ilegal inclusive, minha filha também, e o pior, minha mãe também.
Eu mais queria que todos desaparececem da minha frente e deixassem com que eu tivesse um dia na semana para acordar de olho inchado e fartas remelas. Mas, não.
Foram à igerja em seguida. Graças!
Apertei muito a Pequena quando ela chegou, muitooooooooooo. Quando olho para àquela cara que é tão minha, me sinto uma vitoriosa, uma abençoada.
Colamos cromos no seu álbum de figurinha da Polly, e foi bem divertido.
Não me senti à vontade de beijar minha mãe. Nem cumprimentá-la. Mas dei presente, isso que importa mesmo né?
Me sinto um monstro cretino que não valoriza a própria mãe, que não a cumprimenta com um selinho e nem de longe vê a relação com a mãe como vendem os comerciais. Eu nunca fui pra minha mãe um orgulho de filha, e em certo ponto, ela também não me desperta fascínio algum.
Mas, lá no fundinho, eu quis dizer feliz dia, mas queria te dito com o coração. Não só porque é uma data no calendário, uma data comercial a meu ver. Bem o presente eu já dei, já disse.
Não aguento convenções, me tiram o ar! Viver às turras de janeiro a janeiro, férias um dia só no ano é pouco...
Ser mãe é correr uma maratona diária e sem ponto de chegada. É preciso fôlego.
Tenho me esforçado em contruir uma linda história, agora como mãe. O que eu ganhei de mais legal? Preciso responder?

Aline Affonso
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